0,004% de chance de disputar a Copa do Brasil de 2025.
Três transferbans impostos pela FIFA.
Uma dívida que flerta com a casa dos R$ 3 bilhões.
Salários e premiações dos jogadores atrasados.
Funcionários do clube sem receber.
Um presidente afastado por impeachment.
O Ministério Público pedindo intervenção judicial.
Esse foi o cenário do Corinthians em 2025
Um colapso anunciado
Em qualquer manual de administração esportiva, esse conjunto de fatores não aponta para títulos. Aponta para colapso, para rebaixamento, para anos de reconstrução, em casos extremos, para o fim de um projeto esportivo, o fim de um clube de futebol.
Se um observador externo, um extraterrestre, descesse na terra e acompanhasse apenas o noticiário policial e jurídico envolvendo o Sport Club Corinthians Paulista em 2025, a conclusão seria simples: este clube vai fechar as portas. Este time vai brigar para não cair e vai ser eliminado de tudo que disputar.
Mas como diria o Craque Neto:
“O Corinthians, é o Corinthians meu irmão.”
Títulos em meio ao caos
Porque, em meio ao caos institucional mais profundo de sua história recente, o clube venceu duas competições. Foi campeão Paulista, superando o maior rival em uma final carregada de peso, pressão, tensão e interrompeu a sequência do rival que iria para o tetracampeonato inédito. E conquistou a Copa do Brasil, eliminando esse mesmo rival no mata-mata e derrubando o Cruzeiro, apontado pela imprensa como o grande favorito ao título.
Não se trata de romantização. Quem é Corintiano, sabe muito bem do que eu estou falando.
O Brasileiro e a análise rasa
No Campeonato Brasileiro, o 13º lugar nos deu outro “título”: “o pior time paulista do ano”. Uma análise rasa, incapaz de levar em conta contexto, calendário, elenco curto, atrasos salariais, crise política permanente e um ambiente interno que exigia, diariamente, sangue no olho.
Expectativa, queda e crise política
O Corinthians de 2025 entrou em quase todas as competições como favorito, é verdade. Depois da reta final de 2024, onde saímos do rebaixamento e alcançamos o 7° lugar, numa ascensão com 9 vitórias seguidas, pegando uma vaga de pré-libertadores e no início do ano de 2025 sendo campeão paulista, imprensa e nós torcedores achávamos e acreditávamos sim que éramos.
Éramos.
Até a gente ser eliminado da pré-libertadores, posteriormente da Sulamericana, um início medíocre no campeonato brasileiro, demissão do técnico. Augusto Melo, indiciado e denunciado, impichado, resultando na maior crise política e financeira do clube, ao longo de sua história.
Fiel Torcida
E é aqui que entra um personagem que não aparece em, atas de conselho ou decisões judiciais, a Fiel Torcida.
Porque enquanto dirigentes se digladiavam, processos se acumulavam e o clube sangrava fora de campo, havia gente atravessando a cidade depois de um dia inteiro de trabalho para estar na arquibancada. Havia torcedor pagando ingresso para tomar chuva e passar frio. Havia quem ligasse a TV sabendo que passaria raiva, e ainda assim assistisse até o último minuto.
A Fiel esteve presente quando o clube mais falhou com ela.
Resistência
Não foi um ano fácil. Foi um ano de resistência. De cobrança dura, mas nunca de abandono. Um pacto que todo Corintiano tem: “a instituição pode falhar, mas nós não vamos”.
A história do Corinthians sempre foi escrita assim. Em 1977, foram 23 anos de espera sustentados por uma torcida que nunca largou.
2025 entra nessa linha do tempo.
Um ano simbólico
Não foi um ano perfeito, mas, um ano simbólico. Um lembrete de que o Corinthians não é apenas um clube de futebol. É um fenômeno.
O Corinthians de 2025 não venceu apesar do caos administrativo.
Venceu porque, quando a política implodiu no clube, a arquibancada estava sempre cheia.
Venceu porque, quando a lógica natural era assumir que a administração falhou, a Fiel empurrou.
E apesar dos choros e da voz rouca. Fomos premiados. A Fiel Torcida merecia isso.
E enquanto ela existir, o Corinthians seguirá sendo isso: desacreditado, contestado, pressionado… e, ainda assim, absolutamente impossível de matar.



